Simaria anunciou pausa na carreira para realizar o tratamento completo
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Interromper o tratamento para tuberculose no meio do caminho é o principal problema da doença no Brasil. Isso faz com que a bactéria se torne resistente aos remédios, reduzindo a chance de cura e podendo levar até a morte, de acordo com o infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Entre as cerca de 70 mil pessoas que registraram ter a doença no ano passado, 10% eram indivíduos que voltaram a adoecer ao terem abondonado o tratamento anterior. 

A cantora Simaria, que anunciou ter tuberculose ganglionar em abril, não quer fazer parte dessas estatíticas.

Em tratamento desde então, revelou neste sábado (15), por meio de sua irmã, que a dupla vai dar uma pausa na carreira para que ela possa realizar o tratamento completo da doença. O tratamento da tuberculose chega a durar um ano e meio, segundo o médico.

A pausa foi decidida após Simaria passar mal na última semana, quando voltou a realizar exames e permaneceu em observação.

O infectologista explica que o alto índice de abondono do tratamento se deve ao resultado rápido dos medicamentos. “Em torno de um mês, a melhora já aparece”, afirma.

No entanto, ele ressalta que, apesar disso, o tratamento tem de ser realizado até o final para garantir a eliminação completa da bactéria. “Quando se interrompe o tratamento, a infecção pode se tornar maior e espalhar para outros órgãos. A forma mais grave de tuberculose é quando atinge o cérebro, pois pode afetar os movimentos e a fala”, afirma.

A tuberculose é uma infecção provocada por uma micobactéria – o bacilo de Koch. Sua transmissão ocorre pelo ar, por meio de tosse ou espirros de pessoas contaminadas, que invade os pulmões de uma pessoa saudável ao respirar, penetrando na corrente linfática e alcançando os gânglios.

O infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o bacilo de Koch é tão pequeno que é capaz de atravessar até máscaras de proteção facial.

A tuberculose pode ser pulmonar ou extrapulmonar. Quando é extrapulmonar, o principal órgão acometido são os gânglios, que constituem o sistema de defesa do organismo – daí o nome “tuberculose ganglionar”. 

A inflamação dos gânglios, que crescem em média de 2 a 4 cm, é uma resposta do organismo à entrada do bacilo. Outras reações são febre, perda de peso e falta de energia.

Segundo o infectologista, ossos, rins e meninges — membranas que envolvem o cérebro — também podem ser afetados pela micobactéria.

O portador desse tipo de tuberculose não transmite a doença, diferentemente do paciente com tuberculose pulmonar. Isso porque o bacilo não está localizado no pulmão.

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Não é necessário se manter internado durante o tratamento. O tratamento é realizado com medicamento próprio para tuberculose – antituberculostáticos – que são quatro drogas em um mesmo comprimido. Ingere-se de três a quatro comprimidos por dia durante dois meses, em média, mas o tratamento pode chegar a um ano e meio.

Prats explica que esses medicamentos agem em etapas diferentes da doença, contendo a infecção e matando as bactérias.

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A tuberculose, ocasionalmente, pode não responder ao tratamento quando a pessoa desenvolve outro problema não relacionado à infecção. Outras reações que podem acontecer é o paciente passar mal com o medicamento ou perder a fome e o apetite.

Prevenção de formas graves da doença

A tuberculose pode ser prevenida por meio da vacina BCG — composta pelo bacilo de Calmette-Guérin. O imunizante é obtida por meio do enfraquecimento de uma das bactérias que provocam a doença e é a responsável pela marca circular que muitas pessoas têm no braço direito.

A vacina é oferecida de forma gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em crianças até 5 anos. De acordo com Sociedade Brasileira de imunizações (SBIm), a vacina BCG não oferece eficácia de 100% na prevenção da tuberculose, mas sua aplicação em massa permite a prevenção das formas graves da doença.

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Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a tuberculose é a doença infecciosa que mais mata no mundo. No Brasil, leva à morte de cerca de 4 mil pessoas por anos, de acordo com o Ministério da Saúde.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

Arte R7

 

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