UBS da Chácara Santo Antônio, bairro de São Paulo com menor adesão à vacina
Edu Garcia/R7

Depois de longas filas, a vacinação contra a febre amarela enfrenta baixa adesão da população na campanha de imunização que está sendo realizada na cidade de São Paulo desde 25 de janeiro.

A reportagem do R7 foi à Chácara Santo Antônio, na zona sul da capital, que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é o bairro com menor adesão à vacina.

Morador da Chácara Santo Antônio, o comerciante Igor de Jesus Oliveira, 21, alega não ter tempo de ir até uma UBS. “Sempre tem fila e eu também esqueço de pegar o comprovante de residência”, afirma.

A burocracia é a justificativa dada por muitas pessoas para não tomar a vacina. Desde o início da campanha, a prefeitura divulgou que só seria vacinado quem tivesse uma senha, entregue em cada casa por agentes de saúde. Quem não recebeu teria que ir até uma unidade de saúde com o comprovante de residência para retirar um número e voltar no horário marcado.

Esta, que é chamada de segunda fase da campanha fracionada de vacinação, deve terminar nesta sexta-feira (2) sem cumprir a meta. O objetivo era vacinar 3,9 milhões de pessoas em um mês, entre os dias 25 de janeiro e 24 de fevereiro.

Devido à baixa adesão dos paulistanos, a campanha foi estendida por mais uma semana, mas chega ao fim com apenas metade do alcance: 2.099.802 de doses aplicadas até esta quinta-feira (1).

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a possiblidade de um novo adiamento ainda está sendo discutida. A decisão deve ser divulgada nesta sexta-feira. Caso seja novamente estendida, o desafio vai ser levar para uma unidade de saúde quase 2 milhões de pessoas que ainda não fizeram a vacinação.

Medo da vacina contra febre amarela

A gerente da UBS do bairro, Vanessa Natale Visconti, decidiu diminuir as exigências quando percebeu que a procura pela vacina diminuiu. Ela conta que nos primeiros dias de campanha chegou a ter fila de 1.500 pessoas. Nas duas últimas semanas, a média foi de 400 vacinas aplicas por dia.

“Quando percebi que caiu o movimento, tirei o esquema da senha. Depois que imunizamos um bom número de moradores também paramos de cobrar o comprovante de residência. Agora vacinamos quem chega, se estuda, trabalha, mora ou simplesmente circula por aqui”, explica a gerente.

Mesmo assim, a procura pela vacina não aumentou. Vanessa acredita que outro motivo é o medo de uma reação grave. “As pessoas ouvem na mídia os casos de reação, de morte, e ficam com medo de vacinar. Muitas chegam aqui, fazem perguntas e vão embora”.

Deuznete ainda não tomou a vacina porque tem medo de uma reação
Edu Garcia/R7

É justamente por isso que a doméstica Deuznete Bezerra Silva, 36, ainda não se vacinou.

Ela trabalha na mesma rua onde fica a UBS Chácara Santo Antônio, mas tem medo de entrar para tomar a vacina. “Eu não posso ficar doente. Se ficar sem trabalhar, perco meu emprego”.

Mesmo temerosa, ela garante que vai conversar com um médico para se tranquilizar e tomar a vacina, mas não soube precisar quando.

Efeito colateral à vacina é raro

É importante destacar que uma reação à vacina da febre amarela pode acontecer, mas é extremamente rara. Especialistas dizem que a média é de uma para cada 450 mil vacinados.

Os sintomas podem ir de uma dor cabeça leve, febre e mal-estar até, em casos mais graves, ao desenvolvimento da chamada doença viscerotrópica aguda, que é muito parecida com a febre amarela e pode levar à hepatite, insuficiência renal e causar hemorragias.

Essas reações podem acontecer porque a vacina é feita com o próprio vírus da febre amarela, só que de forma atenuada, ou seja, um vírus mais fraco do que aquele encontrado no ambiente. A partir do momento que ele é injetado, o organismo começa a trabalhar para criar anticorpos. Em pessoas com o sistema imunológico comprometido, o vírus pode ganhar força.

O infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Esper Kallas, explica que não há nenhum produto de uso médico que não tenha risco algum, quer seja uma vacina, um creme de pele ou um quimioterápico para tratamento de câncer. “Para reduzir esse risco, no caso da vacina, pessoas que tenham algum tipo de comprometimento da defesa precisam checar se devem tomar a vacina, pois a chance de ter doença grave é maior”, afirma.

A professora Regina Giraldi, 69, queria se vacinar, mas preferiu conversar com o médico antes. A indicação é que pessoas com mais de 60 anos façam uma avaliação clínica para ter certeza de que o organismo está forte, em condições de receber a vacina. Dona Regina recebeu a autorização e entrou na fila da imunização orgulhosa. “Estou cheia de saúde e disposição, ainda trabalho, não teria por que receber um não”, diz.

Veja quais são as alternativas para quem não pode se vacinar:

 

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