Neymar sofreu a lesão em uma disputa de bola em jogo do PSG no último domingo (25)
Stephane Mahe/Reuters – 25.2.2018

A cirurgia no quinto metatarso, osso que liga a lateral do pé ao dedo mínimo, a qual o atacante Neymar será submetido neste sábado (3), é considerada de médio porte e muito comum a jogadores de futebol, segundo especialistas.

O ortopedista Maurício Póvoa, do Hospital Moriah, explica que se trata de uma cirurgia de médio, e não de pequeno porte, porque envolve fratura de osso, implante (parafuso) e mobilização pós-operatória, mesmo que de curto período.

“Pequeno porte em ortopedia se refere a cirurgias de tecidos, partes moles, como tendões e retirada de cistos”, afirma.

Fratura de Neymar

O atacante sofreu uma fratura no quinto metatarso durante uma disputa de bola em jogo do PSG, no último domingo (25), pelo Campeonato Francês. O médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, encarregado da cirurgia do atleta, informou à imprensa que se trata de uma fratura e não de uma fissura, como havia sido divulgado incialmente.

Saiba mais sobre a lesão de Neymar

A cirurgiã Alessandra Masi, especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), explica que a diferença está relacionada ao termo e não ao tipo de lesão. “O termo fissura não existe no meio médico. O correto é fratura. E, no caso do Neymar, fratura incompleta, pois existe traço de fratura, mas esse traço não separa a fratura em dois fragmentos”.

Fratura indireta

Segundo os especialistas, a fratura de Neymar ocorreu por trauma indireto. A torção do tornozelo provocou a tração do tendão do fibular curto, que está inserido no osso do quinto metatarso, gerando a fratura.

“O quinto metatarso é um ponto habitual de quebra do osso em atletas porque é zona de estresse”, explica Póvoa.

Quando uma fratura no metatarso é incompleta, existe a possibilidade de tratamento sem cirurgia – chamada de conservadora. Neste caso, uma bota imobilizadora é utilizada pelo mesmo período de recuperação da cirurgia: de seis a oito semanas.

Mas, como se trata de um atleta de alta performance, a cirurgia costuma ser a alternativa escolhida para que a consolidação do osso seja feita de forma adequada, de acordo com Caio Nery, cirurgião do Grupo de Medicina e Cirurgia do Pé do Hospital Israelense Albert Einstein. “A cirurgia não acelera a cicatrização. O parafuso, que é colocado, garante a segurança de que a fratura vai cicatrizar no lugar e do jeito que o cirurgião quer. Mas a qualidade da cicatrização depende da estrutura biológica do indivíduo”, explica.

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Parafuso ficará “para sempre”

Um fio de aço é utilizado para guiar o cirurgião ao centro do osso, local onde o parafuso será inserido. Para ajudar na visualização desse procedimento, um aparelho chamado intensificador de imagem fornece imagens de raio-x, por meio de um monitor, em tempo real.

O orifício é feito com uma broca e o parafuso é colocado dentro da estrutura do osso, juntando as partes fraturadas. “O parafuso comprime o osso, dando estabilidade para que ele ganhe resistência mais rapidamente”, explica Póvoa. A incisão cirúrgica é de 1cm a 2 cm.

O tipo de anestesia fica à critério do anestesista e varia de acordo com a história clínica do paciente. “Normalmente é utilizada anestesia regional, do joelho para baixo, pois não existiria necessidade de anestesia raquidiana [promove perda da sensibilidade do umbigo para baixo]”, afirma o ortopedista do Hospital Moriah.

O parafuso pode ser de aço e ou titânio. Já a espessura, que vai de 3,5 mm a 6,5 mm, é escolhida na hora da operação de acordo com o diâmetro do canal medular – a parte oca do osso. O comprimento deve ser suficiente para ultrapassar a zona de fratura e unir os dois lados. O parafuso geralmente permanece “para sempre” no corpo.

Acelerador de cicatrização

Existem recursos, ainda sem comprovação científica e não disponíveis no Brasil, que já são utilizados em algumas áreas da medicina com o intuito de acelerar a cicatrização. Um deles é o PRP (Plasma Rico em Plaquetas). Cerca de 60 ml do sangue do próprio paciente é centrifugado para que sejam retirados dele 5 ml só de plaquetas. Esse concentrado, chamado de PRP, é então colocado no local da fratura. “Existe também a possiblidade de se retirar sangue do osso ilíaco para que seja obtido um concentrado de medula óssea ou células-tronco, que aumenta a chance de formação óssea, de acelerar a consolidação”, afirma Póvoa.

Ele explica que, no pós-operatório, também há dois tratamentos que podem contribuir na recuperação do osso. “São a estimulação por ultrassom e a eletromagnética. Ambas ajudam a formar o calo ósseo, que é o que é vai permitir que um pedaço da fratura grude no outro. O ultrassom vai trazer íons de cálcio para o local, e a estimulação eletromagnética irá gerar estímulo mecânico, que aumenta a massa óssea”, diz.

Após a cirurgia, geralmente o paciente deve ficar três semanas sem pisar no chão, para evitar carga sobre o pé operado. “A partir daí começa a pisar com bota imobilizadora e muletas, dispensando ao final de seis a oito semanas”, afirma Nery. Já a fisioterapia é necessária para recuperar força e massa muscular.

Alessandra Masi afirma que Neymar deve apresentar retorno seguro aos campos em três meses, o que corresponde a maio, véspera da Copa 2018.

Nery ressalta que se trata de uma cirurgia com baixa frequência de riscos, já que é pouco invasiva. “É uma cirurgia com morbidade baixa e baixa incidência de complicações”, afirma. Póvoa completa: “A tendência é que Neymar fique bem e volte a jogar”.

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