Primeira imagem das gêmeas Maria Ysadora e Maria Ysabelle separadas
Divulgação / HC Ribeirão Preto

As gêmeas siamesas Maria Ysadora e Maria Ysabelle, 2 anos, separadas por meio de cirurgia que durou 16 horas no último sábado (27) no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, passam bem e a recuperação rápida surpreendeu a equipe médica, segundo o neurocirurgião Hélio Rubens Machado, que liderou o procedimento: “Já interagem com a familia e até brincam em jogos no celular”.

Como estavam unidas pelo topo da cabeça, ele explica que não tiveram ainda oportunidade de se relacionar após a cirurgia. “Elas tecnicamente não se conhecem. Talvez só pelo espelho ou por escutar a voz uma da outra, mas a interação, o toque, a presença, ainda vão levar algum tempo”, afirma.

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Segundo Machado, para obter todas as respostas cerebrais que asseguram que tudo está funcionando bem, será preciso aguardar de duas a três semanas, quando elas sairão da CTI (Centro de Terapia Intensiva) e iniciarão no quarto reabilitação para fala e fisioterapia.

A primeira imagem das irmãs separadas, registrada nesta quarta-feira (31), foi divulgada pela assessoria de imprensa do hospital e também publicada pelo pai, Diego Farias, nas redes sociais.

“Time nota 1.000. Logo, logo, Maria Ysadora e Maria Ysabelle vão poder agradecer a todos com um abraço”, postou.

Trata-se de um caso único na história da medicina brasileira. Esse tipo de cirurgia, chamada de separação de gêmeos craniópagos, foi realizada pela primeira vez no país, sendo inédita também em toda a América Latina.

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A operação foi realizada pela equipe do HC de Ribeirão Preto com o apoio dos médicos norte-americanos Oren Tepper, professor de cirurgia plástica no Albert Einstein College of Medicine, e James Goodrich, cirurgião referência na realização de procedimentos como esse. Ambos os cirurgiões trabalham no Montefiore Medical Center, em Nova York.

O procedimento ocorreu por meio de cinco cirurgias até que a separação das irmãs fosse completa. A primeira foi realizada em 17 de fevereiro; a segunda, em maio, e a terceira, em agosto – até então havia sido realizada a separação de 80% dos cérebros.

Gêmeas siamesas ainda unidas pela cabeça com equipe na véspera da cirurgia
Reprodução/Facebook -Diego Farias

A quarta foi feita também em agosto para implantação de expansores subcutâneos com o objetivo de dar elasticidade à pele, segundo o neurocirurgião. Já na quinta, considerada a mais complexa, foi concluída a separação.

De acordo com o neurocirurgião Ricardo Santos de Oliveira, do HCRP-USP, que participou do procedimento, o momento mais difícil da cirurgia, que iniciou às 12h30 do sábado (27) e foi finalizada às 3h30 de domingo (28), foi a separação interna.

“A separação total ocorreu às 21h09. Os dois cérebros estavam muito juntos. Toda a reconstrução óssea e do couro cabeludo”, relata.

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Ele explica que a cirurgia foi realizada apenas nessa idade, pois as crianças não apresentavam até então peso suficiente para passar pelo procedimento. Oliveira afirma que para esse tipo de procedimento é recomendado entre 1 e 4 anos de idade, pois, com mais idade, a operação torna-se ainda mais complexa devido à circulação sanguínea.

Machado afirma que ainda não se sabe qual região cerebral foi separada. Isso será verificado apenas posteriormente por meio de uma ressonância magnética. 

Segundo Oliveira, elas ainda poderão passar por nova cirurgia para reparação do couro cabeludo. Não há previsão de alta hospitalar. A família mora em Patacas, no distrito de Aquiraz, no Ceará.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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