Unicef alerta para riscos às crianças no surto de ebola
Mark Naftalin / Unicef via EFE / 14.8.2018

As crianças são as mais afetadas pelo surto de ebola no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), alertou o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) nesta sexta-feira (17).

“As mulheres são as principais responsáveis pelas crianças, por isso, se contraem a doença, seus filhos e toda a família se tornam vulneráveis “, afirmou Gianfranco Rotigliano, representante do Unicef no país.

Além disso, aqueles que têm alta após a confirmação de que não têm o vírus, correm o risco de serem estigmatizados dentro da sua comunidade.

Profissionais de saúde foram infectados pelo ebola no Congo

Até agora, indicou o Unicef, duas crianças já morreram pelo ebola, enquanto outros seis estão sendo tratados nos centros médicos de Beni e Mangina.

“O impacto da doença nas crianças não se limita aos infectados ou casos suspeitos”, especificou Rotigliano.

“Muitos deles enfrentam a doença e a morte de seus pais e entes queridos, ou perderam a boa parte da sua família ficaram sozinhos. Essas crianças precisam urgentemente do nosso apoio”, reforçou.

O Unicef já identificou 53 crianças órfãs por causa do ebola. Elas estão recebendo atendimento psicosocial e ajuda alimentar, além da pesquisa de possíveis famílias de amparo.

Já são 51 os casos confirmados deste último surto, declarado nas províncias do nordeste do Kivu Norte e de Ituri desde 1º de agosto. Foram registradas 17 mortes, segundo os últimos dados, divulgados nesta sexta pelo Ministério de Saúde do Congo.

O número total de casos, incluindo os confirmados e os prováveis, chega a 78.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu hoje não saber o alcance real do surto, dado que há várias “áreas vermelhas”, em que não tem acesso.

O nordeste do RDC vive há anos uma situação de conflito, com constantes massacres protagonizados por rebeldes, que enfrentam também as tropas governamentais e as forças da ONU (MONUSCO).

O ebola é transmitido por contato direto com o sangue ou com os fluídos corporais de pessoas ou animais infectados, e causa hemorragias graves. A taxa de mortalidade é de 90%.

A pior epidemia desta doença foi declarada em março de 2014, com os primeiros casos em dezembro de 2013 em Guiné Conacri, de onde se expandiu intensamente para Serra Leoa e Libéria.

A OMS deu por acabada a epidemia em janeiro de 2016. Neste surto foram registradas 11.300 mortes e mais de 28.500 casos.

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