Itália registra cerca de 400 casos de covid-19
EFE/EPA/ETTORE FERRARI

O novo coronavírus (SARS-CoV2) se espalha rapidamente pelo mundo. Nos últimos sete dias, o número de casos confirmados fora da China continental praticamente triplicou — já há registro em todos os continentes.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou nesta segunda-feira (24) que, embora não se possa falar de uma pandemia, é preciso que os países estejam prontos para uma disseminação generalizada do novo vírus.

O infectologista João Prats, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que , apesar de o primeiro caso de covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus) ter sido confirmado no Brasil, não é possível determinar quais serão as proporções de uma eventual epidemia no país, pois o vírus se comportará de maneira diferente em cada país.

“Tem o fator climático, a maneira como as pessoas se relacionam, a demografia do país. Na Itália, a população idosa é muito grande, então é mais provável um número maior de casos graves, por exemplo.”

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Segundo o pneumologista Roberto Stirbulov, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ainda não se conhece o comportamento do novo coronavírus em relação à temperatura.

“A questão do inverno, as pessoas se aglomeram, fecha a janela… como depende de uma gotícula que fica em suspensão, a transmissibilidade de todas as doenças respiratórias é maior no inverno. Se chegar no inverno e o vírus, por alguma hipótese estiver em alta, há maior transmissibilidade.”

Um artigo publicado no periódico científico The Journal of Hospital Infection (Jornal de Infecção Hospitalar) no começo deste mês, com outros tipos de coronavírus, ressalta que eles têm persistência reduzida em ambientes com 30°C ou mais. 

O ministro da saúde Luiz, Henrique Mandetta, afirmou em coletiva de imprensa que não adianta fechar as fronteiras.

“É uma gripe, é mais uma gripe que a humanidade vai ter que atravessar. Das gripes históricas, com letalidade maior, ela se comporta a menor. Tem uma transmissibilidade similar a determinadas gripes que a humanidade já superou e já passou.”

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O infectologista da BP considera válida a comparação com a gripe, embora esta seja causada por outro vírus, o influenza.

“A transmissão, os sintomas e a letalidade são muito semelhantes, o protocolo de combate também, mas existem diferenças importantes.”

No caso da gripe, existe vacina e tratamento específico, o que facilita o combate.

Outra diferença importante é a capacidade de mutação do vírus. “Provavelmente não vai ser um vírus que perdure como a gripe. Os outros coronavírus apareceram por um tempo e depois desapareceram.”

O pneumologista da Santa Casa explica que “a influenza tem capacidade de mutação; a cada ano ela faz uma mutação, porque convive com o ser humano. Por enquanto é difícil dizer que veio para ficar”.

Prats observa que a grande maioria dos casos é leve. “Quando você tem sintomas leves acaba nem indo ao médico. Dos que vão, apenas 2% morrem e são, normalmente, as pessoas imunossuprimidas, idosos e pessoas com outras doenças.”

Ele afirma que o problema da covid-19 é que com um número grande de pessoas infectadas, mesmo com uma taxa de letalidade baixa, o impacto em números absolutos vai ser importante. Já são mais de 81 mil infectados, sendo 78 mil na China continental. 

O pneumologista lembra que a taxa de letalidade do SARS-CoV2 — mortes por 100 mil habitantes — é menor do que do H1N1 durante a pandemia de 2009, que foi próxima de 10%; este é 2,5%.

Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa desde dezembro até agora é de 38 mil mortes por influenza em todo o mundo, contra 2.700 de covid-19.

Para Prats, as medidas de segurança tomadas pelas instituições são importantes para que não se torne um problema de saúde pública maior, mas a preocupação da população em geral está exagerada.

“Tivemos uma cobertura das últimas campanhas de vacinação contra a gripe muito abaixo do esperado. Claro que se você toma as medidas de prevenção do coronavírus, como lavar as mãos e não ficar com pessoas doentes, você também está se protegendo contra a gripe.”

Segundo o infectologista a única recomendação oficial é de não viajar para a China. “Mas se você pode adiar a viagem e você for uma pessoa com outras doenças ou idoso, o melhor é adiar.”

Para o ministro da Saúde, vai chegar o momento em, talvez, adiar viagem já não faça mais diferença, uma vez que existe o risco de transmissão sustentada no Brasil — o caso confirmado é importado da Itália. 

“A Europa é um destino turístico muito intenso. Eu digo que vale a regra do bom senso. Se não for necessário, por que você vai programar? Agora, também não podemos parar a vida porque existe um resfriado, uma gripe, uma síndrome respiratória.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

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