Exame apresentou sensibilidade de 94% nos testes realizados
EFE/EPA/HOTLI SIMANJUNTAK

Uma equipe de cientistas brasileiros desenvolveu um teste capaz de detectar a presença de anticorpos contra o Sars-CoV-2, causador da Covid-19, na urina com precisão comparável à dos testes existentes baseados em soro sanguíneo.

O artigo foi publicado na revista Science Advances, e, segundo os responsáveis, essa técnica oferece um método não invasivo para avaliar o risco de infecção de um indivíduo.

É uma nova plataforma Elisa – o teste de laboratório comumente usado para detectar anticorpos no sangue e acrônimo em inglês para ensaio imunoabsorvente ligado a enzimas de absorção – que detecta anticorpos contra o Sars-CoV-2 na urina.

O teste oferece um método não invasivo que pode ser usado para relatar o grau de exposição de uma população à Covid-19 e para avaliar o risco de infecção de um indivíduo, observam os autores.

Ao contrário do popular teste Elisa baseado em soro, o uso de urina para detectar anticorpos permitiria que os pacientes coletassem suas próprias amostras e não precisassem recorrer a especialistas para a coleta de sangue e o manuseio de amostras.

Embora os testes de urina sejam não invasivos, simples, convenientes e seguros, os cientistas até agora não haviam estudado se esse fluido corporal poderia ser uma alternativa ao soro sanguíneo para detectar anticorpos específicos do vírus Sars-CoV-2, de acordo com o artigo.

Para investigar isso, Fernanda Ludolf, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), e sua equipe desenvolveram um teste Elisa à base de urina usando a proteína N do coronavírus (proteína do nucleocapsídeo recombinante).

Eles usaram o ensaio para avaliar 209 amostras de urina de 139 pacientes entre 2 e 60 dias após o início dos sintomas de Covid-19 e compararam seus resultados com os do teste Elisa baseado em soro bem estabelecido.

Eles descobriram que a plataforma baseada em urina detectou com sucesso os anticorpos em 187 das amostras, demonstrando uma sensibilidade de 94%, ante a sensibilidade de 88% do teste baseado em soro.

De acordo com os cientistas, a plataforma baseada em urina detectou anticorpos com precisão marginalmente melhor que a da plataforma baseada em soro, embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significativa.

“Dado que identificamos anticorpos contra a proteína N do Sars-CoV-2 na urina, o desenvolvimento de um teste Elisa de urina com base na proteína S ou pico do vírus também pode ser viável para cobrir outras aplicações de testes sorológicos, como detecção de anticorpos induzidos por vacinas”, escrevem os autores.

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