O mosquito Aedes aegyptié o transmissor da dengue
ONU/Aiea/Dean Calma

O laboratório Sanofi-Aventis apresentou, nesta quarta-feira (29), estudos que apontam que a vacina Dengvaxia — usada contra a dengue — pode não ser tão eficaz em pessoas que nunca tiveram contato com o vírus. Estes pacientes podem, inclusive, desenvolver formas graves da doença. 

Após a divulgação destes levantamentos, especialistas recomendam cautela ao tomar a vacina. No entanto, quem já tomou o imunizante não precisa entrar em pânico, segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, da Regional do Rio de Janeiro, Flávia Bravo.

— As pessoas devem ficar calmas. Quem já tomou a vacina não precisa ficar preocupado porque o risco é baixo. Então, se sentir os sintomas, ele deve procurar atendimento médico. De qualquer maneira, o risco desta pessoa ficar doente é menor do que quem não tomou a vacina.

De acordo com Sheila Homsani, diretora Médica da Sanofi-Pasteur, a vacina não provoca a doença, mas sua eficácia diminui depois de dois anos em quem nunca teve contato com o vírus. A conclusão foi feita após quatro anos de análise em pacientes vacinados.

— Por mais que o número seja baixo, é correto e ético pedir que a vacina não seja recomendada para quem nunca teve dengue, pois a proteção diminui. Por isso, a vacina só é recomendada para quem já teve a doença ou apresentar exame de sorologia positiva para o vírus.

Flávia ainda complementa: “A pessoa só ficará doente se for picada por um mosquito, ou seja, se tiver contato com o vírus selvagem”.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações ainda explica que 75% das pessoas que tiveram contato com o vírus da dengue não desenvolvem os sintomas. “A dengue é só a ponta do iceberg. A maioria das pessoas que mora em cidades com constantes surtos têm chances de já terem tido contato com o vírus sem saber”.

Os estudos

Sheila, da Sanofi-Aventis, explica que existe uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para que todos os estudos de vacinas tenham fase de acompanhamento de quatro anos, e que os apontamentos da farmacêutica estão em fase de encerramento.

— Os estudos mostraram que pode ocorrer cinco casos de hospitalização a cada mil vacinados em cinco anos e dois casos de doença grave em mil vacinados no mesmo período. Sem o devido tratamento, a forma grave da doença pode evoluir para dengue hemorrágica, que pode matar. Porém, nenhum dos vacinados desenvolveu esta forma de dengue.

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Ainda segundo Sheila, quem já contraiu dengue teve resposta positiva ao longo desses anos. “Não houve nenhuma necessidade de reforço, com proteção acima de 80% e eficácia superior a 80% em casos graves e de hospitalizações”.

Vacinas são seguras

Para Flávia, as vacinas são o tipo de medicamento mais seguro. “Mas, mesmo assim, ela pode provocar efeitos adversos”, adverte.

— Na maioria dos casos, esses efeitos são leves. Mesmo vacinas mais antigas, como a do sarampo, a eficácia não é 100% em todas as pessoas. Cerca de 5% dos vacinados contra sarampo podem ter a doença. Com a vacina da dengue é a mesma coisa.

Atualmente, a vacina da Sanofi é a única aprovada no Brasil. O imunizante é indicado para imunização contra os quatro subtipos do vírus da dengue.

Ministério da Saúde

A pasta informou ao R7 que, “em 2016, o Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) recomendou a não introdução da vacina para dengue produzida pela Sanofi até que os estudos de custo-efetividade demonstrassem que essa vacina seria importante do ponto de vista de política de saúde pública. Até o momento, esses estudos não estão concluídos, portanto não há definição de introdução dessa vacina no Sistema Único de Saúde (SUS)”.

O ministério disse ainda que prioriza “a análise e pesquisa de novas tecnologias relacionadas ao combate do mosquito Aedes aegypti e às doenças transmitidas por ele no Brasil, como dengue, Zika e chikungunya”.

“Cabe esclarecer que estados e municípios possuem autonomia para avaliar e adquirir qualquer vacina devidamente registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e realizar a vacinação da população, de acordo com as necessidades locais”, advertiu.

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