Dimas Covas concorda com mudança em exigências da Anvisa para uso emergencial de vacinas
Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo – 5.2.2021

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, considera “uma preocupação legítima” as críticas do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em relação às ações do órgão na aprovação de novas vacinas contra covid-19. Ele foi o convidado desta sexta-feira (5) da #LiveJR.

Na quinta-feira (4), Barros ameaçou “enquadrar a Anvisa” no que chamou de “falta de percepção sobre o momento de emergência em que vivemos”. A declaração foi duramente criticada por servidores e até pelo diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres.

Para o diretor do Butantan, a Anvisa demorou mais do que deveria para abordar a possibilidade de uso emergencial de vacinas no país.

“Essa questão da autorização de uso emergencial das vacinas, na minha opinião, foi abordada um pouco tardiamente pela Anvisa — poderia ter sido abordada antes — e se isso tivesse acontecido, já teríamos vacina em uso aqui no Brasil já há mais de um mês, um mês e meio. […] As instituições são importantes. A Anvisa é uma instituição de estado, não de governo, mas também tem que ter a percepção da gravidade do momento e agir de acordo.”

A mudança na exigência de que testes clínicos de fase 3 sejam realizados no Brasil para submissão do pedido de uso emergencial de vacinas contra covid-19 foi vista por Covas como uma percepção da Anvisa do momento atual.

“A exigência de que houvesse um estudo clínico em andamento no Brasil, na minha opinião, não é razoável. Para que haja a liberação da vacina, tem que ser apresentados resultados de estudos clínicos de fase 3, mesmo que seja feito na Rússia ou outro local, e que traga a certeza de que a vacina é segura e que seja eficaz.”

Na entrevista, ele tratou também da necessidade de o Brasil pensar em uma política de independência de produtos biológicos e fármacos de alto custo.

Dimas Covas afirma que o Brasil depende da Índia e da China, que são países que investiram em pesquisa e tecnologia farmacêutica nas últimas décadas.

“Eles [governos indiano e chinês] colocaram isso como uma das prioridades da política industrial do país. No Brasil, tivemos as iniciativas que são consideradas habituais dos institutos públicos, como o Instituto Butantan e a Fiocruz, mas não temos uma política especificamente voltada para essa área. A vinda dessa epidemia revelou essa nossa fragilidade e aponta a necessidade de nós, estrategicamente, trabalharmos no sentido de que no futuro isso não venha a acontecer de novo.”

Além da capacidade de desenvolver vacinas sem insumos importados, Covas diz que é preciso considerar  a produção nacional de medicamentos avançados.

“Somos dependentes da importação de insumos de alta tecnologia na área de biotecnologia e de medicamentos, principalmente, contra o câncer e doenças crônicas.”

Assista à íntegra da entrevista:

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