Obesidade afeta joelhos
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Uma das queixas mais comuns de quem está acima do peso é a dor nos joelhos. Pode ocorrer esporadicamente, ao subir uma escada, ao se levantar após pegar algo no chão, mas se a condição não for tratada logo, as consequências tendem a se tornar graves.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada no ano passado, mostrou que dois em cada dez brasileiros acima de 18 anos estão obesos – com IMC (índice de massa corporal) acima de 30.

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No entanto, se incluídas as pessoas com sobrepeso – IMC acima de 25 – esse número sobe para mais metade da população.

A obesidade é apontada por especialistas como um fator importante para o desenvolvimento de osteoartrite, uma inflamação da cartilagem que protege as articulações. Por concentrarem grande pressão durante movimentos físicos, os joelhos são comumente prejudicados.

Quando você caminha, a força sobre o joelho é o equivalente a 1,5 vez o seu peso, segundo estimativas de pesquisadores da Universidade de Harvard.

Por exemplo, uma pessoa com 120 kg terá uma pressão de 180 kg a cada passo em uma superfície plana. Mas esse peso vai até 360 kg ao subir uma escada e 480 kg ao se agachar.

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“A cada passo que a gente dá existe uma soma vetorial de forças. Quando está com os dois pés no chão, você divide o peso do corpo entre os membros inferior esquerdo e inferior direito. Quando caminha, você passa o peso para apenas um dos membros e existe um aumento relativo da carga sobre o joelho”, explica o médico ortopedista Alexandre Povoa Barbosa, especialista em joelho, ombro e quadril, do Hospital Moriah, em São Paulo.

Além disso, o excesso de gordura gera processos inflamatórios no organismo, que afetam, inclusive, articulações.

Segundo o ortopedista, as dores podem ser percebidas logo nos primeiros anos com excesso de peso.

“É mais comum sentir dor em movimento. Uma das queixas mais frequentes é de dor para subir e descer escada, quando o joelho é solicitado mecanicamente de forma mais intensa, mesmo sem haver lesão estabelecida.”

A dor não deve ser tida como algo normal, alerta o ortopedista. Esse já deve ser o primeiro sinal de que algo pode estar acontecendo.

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“Eu recebo no consultório pacientes que vêm de cadeira de rodas para marcar cirurgia de prótese de joelho. É algo muito característico da população brasileira. O brasileiro leva o problema até as últimas consequências.”

Atualmente, não existem métodos capazes de recuperar a cartilagem danificada das articulações. Os tratamentos disponíveis hoje visam o alívio dos sintomas e a recuperação da mobilidade, mas não são indicados a todos os pacientes.

“Em situações em que a doença é avançada e já tem a osteoartrose [doença crônica decorrente da osteoartrite] instituída, existem procedimentos cirúrgicos menos invasivos como artroscopia, feita por vídeo, com a ressalva de que diminui a sintomatologia, mas não recupera a cartilagem. A indicação é avaliada com muita cautela”, afirma Barbosa.

Pacientes com idade avançada têm como opção a cirurgia para instalar próteses de substituição articular, “em que o tecido da cartilagem e o osso gastos são trocados por ligas metálicas e de polietileno”, acrescenta.

O mais importante, salienta o médico, é haver um controle do peso e atividade física, como forma de evitar que a inflamação das articulações se torne um problema crônico.

“O exercício físico tem que ser feito de acordo com o grau de atividade e mobilidade que aquela pessoa tem. Ninguém consegue de uma dia para o outro começar a correr. Mas temos que ter um objetivo de médio e longo prazo. […] Com exercícios físicos, ganhamos massa muscular e promovemos estabilização da articulação. Isso é saudável tanto para prevenir quanto nos casos em que a lesão já existe, para diminuir a incidência de dor.”

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