Carnaval 2017 em Mariana; este ano a expectativa de foliões é a mesma, 15 mil
Divulgação/Elcio Rocha

Muitos lugares com tradição em Carnaval, como as cidades históricas de Minas Gerais, estão na rota da febre amarela – registraram casos da doença ou são vizinhas de áreas de risco. Mesmo assim, não alteraram seu calendário de Carnaval e ainda contam com uma grande expectativa de visitantes.

É o caso de Mariana. Local da maior tragédia ambiental do país, onde vilarejos foram destruídos com o rompimento da barragem de Fundão em 2015, Mariana é a cidade mineira com o maior número de casos de febre amarela – 21 casos e seis mortes. O total são 164 casos e 61 mortes em Minas Gerais.

Com 100% da população vacinada, segundo a prefeitura, a cidade não sofreu alterações na programação do Carnaval e tem a expectativa de receber 15 mil foliões, mesmo número do ano passado. A cidade tem tradição de Carnaval de rua, com o chamado desfile de blocos caricatos e apresentação de escolas de samba, que ocorrem no centro histórico.

“Todos os municípios onde foi detectado febre amarela podem ser considerados de risco. Mas existem dois riscos distintos: o do perímetro urbano, que é nulo, e do meio rural, que existe. Quem vai fazer ecoturismo, como acampar, ir para a trilha e cachoeira está mais exposto ao risco da febre amarela do que o folião que fica na avenida principal da cidade. Não há registros de casos urbanos no Brasil”, explica a virologista Giliane Trindade, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo ela, Mariana está no epicentro de um surto estendido que Minas Gerais vive desde 2016. “Na verdade, não saímos do surto. O que temos é mais que um surto, é uma epidemia, que são surtos ocorrendo simultaneamente em diferentes regiões do Brasil”, diz.

Para ela, a falta de conscientização sobre a importância da vacinação contribui para que esse surto se mantenha. “Vários casos que ocorreram de febre amarela são de indivíduos que se recusaram a se vacinar. Isso acontece porque a população mais afetada é de nível sócio-econômico-cultural mais baixo. Na comunidade rural existe uma questão cultural”, afirma.

A virologista explica que o vírus da febre amarela é originário do continente africano e migrou para o Brasil por meio do tráfico de escravos. O vírus se estabeleceu na floresta amazônica em primatas e se deslocou para outras regiões, como Centro-Oeste e Sudeste, através do homem. “O ser humano que trouxe o vírus. Provavelmente o surto teve início nessas regiões quando alguém infectado veio da Amazônia, foi para área rural e deu início a uma transmissão”, afirma.

Não existem dados científicos que comprovem a relação do surto de febre amarela com o desastre de Mariana, de acordo com a professora. “Mas com certeza a expansão do agronegócio e a urbanização descontrolada são os grandes vilões, pois promovem alteração do uso da terra, um desequilíbrio e a perda de habitat. Os macacos vão se deslocando, é como se ficassem encurralados. E o homem vai se aproximando, constrói em toda essa borda periurbana, que devem ser os primeiros alvos de uma ação de resposta para contenção do surto, porque é ali que está o risco”.

Além de Mariana, cidade vizinhas também não terão o Carnaval afetado este ano, como Tiradentes e Diamantina. Em Ouro Preto, que não apresenta casos confirmados de febre amarela, a expectativa é de 40 mil foliões. De acordo com a prefeitura, 85% dos moradores já foram vacinados e todas as unidades de saúde continuam oferecendo vacinação. As cidades ainda não divulgaram se haverá vacinação durante o Carnaval, mas vale ressaltar que a vacina da febre amarela leva 10 dias para fazer efeito.

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