Pessoas com o transtorno podem fazer diversas intervenções no mesmo local
Freepik

O transtorno dismórfico corporal faz com que a pessoa tenha uma percepção alterada de determinada parte do corpo ou característica, explica o cirurgião plástico Niveo Steffen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A característica que incomoda se torna uma obsessão e as intervenções cirúrgicas não contribuem para uma melhor aceitação.

Steffen explica que é possível diagnosticar o transtorno na consulta com o cirurgião. “Na conversa com o paciente, nós percebemos alguns sintomas. Quando a pessoa se queixa de uma característica que não se reflete na realidade. A pessoa se queixa de uma mama muito pequena, insiste nisso, mas verificamos que a paciente tem uma mama absolutamente normal”, exemplifica.

Leia mais: Luana Piovani vai retirar gordura das axilas. Entenda o procedimento

Outro sinal do transtorno é o histórico de cirurgias. “Se a pessoa chega falando dos procedimentos que já fez e verificamos que foram bem-sucedidos, que não têm nada errado, também é um sinal”, explica. Quando o cirurgião percebe esses sintomas, ele marca uma segunda consulta para estreitar a relação médico-paciente e, se confirmada a suspeita, encaminha a pessoa para um profissional da área, como psicólogo ou psiquiatra.

Segundo Steffen, o diagnóstico do transtorno não impede que a pessoa realize procedimentos cirúrgicos após o tratamento. O principal risco é que o paciente com transtorno dismórfico corporal encontre um profissional que faça as intervenções. “Pode ter prejuízos para a saúde mental, pois esse paciente nunca vai ficar satisfeito, e para a saúde física, pela quantidade de cirurgias feita num mesmo local”, explica.

Saiba mais: Vera Viel diz fazer Botox a cada 6 meses. Saiba os riscos e benefícios

O cirurgião alerta para a importância de procurar um profissional qualificado para a realização de procedimentos cirúrgicos estéticos. “O cirurgião plástico é preparado para identificar e lidar com esse tipo de situação”, afirma.

Segundo Steffen, a causa do transtorno é desconhecida, mas existe um fator genético. O tratamento é feito com um psiquiatra. Além disso, o cirurgião aponta que existe uma pressão muito grande das mídias sociais para um padrão de perfeição inalcançável. “Em contrapartida, a visibilidade fez com que se começasse a falar mais nessa doença e a se identificar mais”, afirma.

Epidemia da insatisfação

O transtorno dismórfico corporal acomete de 1% a 3% da população e 7% a 15% das pessoas que procuram cirurgias, afirma a psicóloga Raquel Guimarães, criadora da página Meu Querido Corpo, nas redes sociais, sobre a resignificação da imagem. Porém, o número de cirurgias plásticas estéticas aumentou em 25% de 2016 para 2018, segundo a SBCP. Além disso, 60% de todas as cirurgias plásticas realizadas em 2018 tinham objetivos estéticos.

Segundo Raquel, os números elevados não têm tanta relação com o transtorno. O aumento do número de cirurgias tem relação com um fenômeno social de insatisfação com o próprio corpo que acomete, principalmente, as mulheres. “No mundo inteiro, 96% das mulheres sofrem com algum grau de insatisfação”, afirma.

Leia também: Bebê sem rosto: tratamento é complexo e exige série de cirurgias

A psicóloga explica que a principal causa desse fenômeno são as características sociais e culturais da sociedade. “É o padrão de beleza que vemos em algumas celebridades, mas que não quer dizer que seja o corpo natural delas. É o culto à magreza, à beleza, a um corpo sarado. Isso vem aumentando a insatisfação corporal cada vez mais”, afirma.

Raquel afirma que as redes sociais acabam ampliando essa cultura. “No Instagram, somos expostos a um padrão irreal de beleza. Parece que todas as pessoas são daquele jeito. Quando olhamos na rua vemos uma variedade muito maior de corpos. Quando usamos um filtro, nos vemos mais próximas daquele padrão e pensamos em como seríamos bonitas se fossemos daquele jeito. Isso, em conjunto com todas as fotos produzidas a que estamos expostos, nos faz se sentir mal com a própria imagem”, afirma.

A psicóloga explica que a insatisfação corporal pode levar a um isolamento e afetar a vida social, acadêmica e até profissional. “Às vezes, a mulher se sente tão mal que não quer sair de casa, não se sente bem em uma reunião de trabalho, não fica confortável em vários contextos”, afirma.

Saiba mais: ‘Minha família pensava que meu câncer era contagioso’

O tratamento consiste em entender que o corpo possui uma história e outras funções, para que o indivíduo não fique tão preso à estética. “O corpo é uma ferramenta de explorar o mundo, é a forma de estar vivo, sentir, ver, abraçar. Precisamos recolocar esse significado”, explica.

Além da psicoterapia, que é importante para melhorar a insatisfação com o corpo, Raquel explica que pequenas ações podem ajudar. “Perceber suas emoções, sua história, olhar para si mesma com gentileza e com compaixão. Aos pouquinhos, ir mudando essa relação”, afirma.

“Outra forma que ajuda são os movimentos de ativismo que encontramos na internet. O de positividade corporal incentiva o amor ao próprio corpo. Já o de neutralidade corporal fala sobre uma relação neutra, já que é muito difícil ir do ódio ao amor. Ele procura perceber que corpo possui muito mais funções do que a estética e celebra essas outras funções”, afirma.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

Não faça dieta! 7 dicas para mudar sua relação com a comida:

 

CategorySaúde

Copyright © 2016 - Plena Jataí. Todos os direitos reservados.

Clínica/Laboratório: (64) 3631-5080 | (64) 3631-5090
Farmácia: (64) 3631-8020 | (64) 3631-8030
Imagem: (64) 3631-6001