O candidato à presidência Jair Bolsonaro em campanha na quinta-feira (6)
Fábio Motta/Agência Estado – 06.09.2018

O principal foco do pós-operatório de uma cirurgia como a que Jair Bolsonaro foi submetido nesta quinta-feira (6) é a recuperação do intestino. E o sinal de que isso está avançando bem é a volta de seu funcionamento. “Isso pode levar de 48 a 52 horas após a cirurgia”, explica o gastrocirurgião Marcos Belotto, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

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O candidato à presidência de 63 anos teve o abdome perfurado por uma faca na tarde de quinta-feira (6) enquanto fazia campanha eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais.

A facada provocou uma perfuração no intestino grosso, três no intestino delgado e uma na veia mesentérica superior, que leva sangue para parte do intestino. Após cirurgia de emergência, as lesões foram reparadas e uma bolsa intestinal provisória (colostomia) foi acoplada à sua barriga.

Segundo o cirurgião, além da volta das atividades normais do intestino, no pós-operatório é esperada a cicatrização dos pontos feitos no abdome – vale ressaltar que os pontos são feitos na linha mediana da barriga, lugar diferente da onde é acoplada a bolsa intestinal.

O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para onde Bolsonaro foi transferido na sexta-feira (7), informou neste sábado (8) que ele está em boas condições clínicas e que mantém jejum oral, recebendo nutrientes por via endovenosa.

Belotto explica que, geralmente um paciente que passa por uma cirurgia desse tipo, começa a beber água a partir do terceiro dia após o procedimento o que, no caso se Bolsonaro, seria domingo (9). Já a alimentação é liberada apenas depois que o intestino começar a funcionar. A dieta vai progredindo de líquida, para pastosa até a inclusão de alimentos sólidos.

O boletim médico de Bolsonaro afirma que, neste sábado (8), ele vai se levantar pela primeira vez após o incidente, caminhando do leito para a poltrona. Ele está internado na UTI do hospital. A movimentação, mesmo que mínima, é importante, segundo Belotto, para estimular o funcionamento do intestino. “O quanto antes puder andar e tomar banho sozinho, melhor, pois há o risco de trombose na perna se pessoa fica deitada muito tempo”, explica.

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O período de internação de um procedimento desse tipo é estimado entre 7 e 10 dias. Os medicamentos administrados geralmente são antibiótico, para combater e prevenir infecções, e analgésico, contra dor. Outros remédios podem ser prescritos pelo médico, de acordo com a necessidade, como medicamento para náusea.

A dor, se houver, está relacionada à dor no corte da operação. O médico ressalta que a veia, que foi perfurada pela faca e saturada na cirurgia, não dói.

A diferença entre cirurgia de intestino eletiva (agendada) para um problema de saúde, como câncer colorretal, e uma de emergência, por exemplo, a perfuração por faca no abdome de Bolsonaro, é que, no segundo caso, as fezes caem na cavidade abdominal, misturando-se com o sangue e infectando o local. Por essa razão, na cirurgia eletiva a recuperação tende a ser mais rápida.

Depois da alta médica, o cirurgião explica que o paciente poderá voltar para casa e levar uma vida normal, sendo proibido no primeiro mês movimentos bruscos, agachamento e força abdominal. “Também deve evitar conglomerados, não por causa de risco de contaminação, pois esse período vai até o décimo dia, mas para prevenir traumas na barriga, como cotoveladas”, explica. Não há necessidade do uso de cinta elástica.

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Já em relação à bolsa intestinal ele afirma que os pacientes costumam se adaptar em uma semana. “Para pacientes que têm as fezes mais líquidas, orientamos a ingestão de alimentos que prendem mais o intestino, mas em geral pode-se comer de tudo”, afirma.

Do ponto de vista médico, o cirurgião afirma que, após o segundo mês da cirurgia, de maneira geral, o paciente fica liberado para ter vida totalmente normal, inclusive vida social. “Em novembro, Bolsonaro vai ter dois meses de pós-operatório. Ele poderia estar na rua? Sim. Mas isso depende de cada pessoa. Por exemplo, um indivíduo que passa por uma cirurgia porque bateu o carro, depois de um período, mesmo liberado para dirigir o carro, ele não quer, por trauma”, afirma.

 

 

 

 

 

 

 

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