Embora muita gente confunda, hipocondria é muito mais do que uma “mania de tomar remédio”. Aliás, os especialistas evitam usar o nome hipocondria, entre outros motivos, para evitar a confusão. O problema agora é chamado de transtorno de ansiedade de doenças – trata-se da preocupação exagerada com a saúde, a certeza de sofrer com uma doença grave, mesmo que médicos e exames digam o contrárioNo transtorno de ansiedade de doenças, existem dois tipos de paciente: o que busca tratamento e o que prefere não ter contato com médicos. O primeiro grupo é formado por pessoas que marcam consultas com diferentes médicos, fazem procedimentos e exames com muita frequência e mesmo que o resultado mostre que não existe nenhum problema no organismo, tomam remédios com regularidade e, marcam novas consultas e refazem os exames com outros profissionais diversas vezesOutros, pelo contrário, não buscam tratamento e evitam o contato com os médicos. São pessoas que acreditam que têm um problema grave, ficam ansiosos e sofrem com a ideia, mas preferem não passar por consultas e exames achando que isso vai confirmar um diagnóstico que pode ser terminal. O que há de comum entre um caso e outro é a preocupação exagerada em ter ou contrair uma doença e a ansiedade em relação à própria saúdeO transtorno de ansiedade de doenças pode, ou não, ter ligação com a depressão. Uma pessoa depressiva pode desenvolver essa preocupação exagerada com a saúde, mas isso também pode acontecer com pessoas que nunca sofreram com a depressão. O psiquiatra Fernando Fernandes explica que o deprimido pode ficar “mais encanado com o próprio corpo, em buscas de sinais e sintomas de doenças, achando que qualquer coisa é uma coisa ruim”, mas sem caracterizar o transtorno de ansiedade de doençaIsso significa que o depressivo pode apresentar um quadro parecido com o do transtorno, mas dentro da depressão, como se fosse um sintoma e não o transtorno propriamente dito. “Então, a pessoa ficar encanada com o próprio corpo, achando que pode estar doente e estar pessimista com isso, pode fazer parte do quadro depressivo, o quadro da hipocondria pode se apresentar dentro de um quadro depressivo”, explica o médicoComo em quase todo o transtorno ansioso, este começa devagar e, aos poucos, vai tomando conta da vida da pessoa. Como a ansiedade é um
sentimento considerado normal, a pessoa não se dá conta quando quando ela ultrapassa o
limite do normalidade. “Todos nós somos preocupados com a nossa saúde, é uma preocupação
normal, mas a gente mantém isso dentro de uma racionalidade, dentro de um
comportamento razoável e aceitável”, explica o psquiatraQuem sofre com o transtorno, aos poucos, vai perdendo o parâmetro. Quando a pessoa começa a levar muito tempo fazendo exames, consultas, tomando remédios de maneira exagerada – e muitas vezes sofrendo os efeitos colaterais dos remédios desnecessariamente -, quando essa preocupação provoca sofrimento excessivo, não deixando a pessoa se concentrar, e quando acaba tendo um prejuízo em função dos sintomas, já passou da hora de buscar ajudaMuitas vezes, uma pessoa que sofre com o transtorno de ansiedade de doenças não é capaz de perceber o problema, por isso, amigos e familiares têm papel fundamental. Fernandes explica como é possível ajudar. “Em primeiro lugar, quando a pessoa comentar ou fazer algum questionamento em relação aos sintomas, o amigo pode dar um parâmetro de realidade para ela, dizer que ela já fez os exames, que não precisa fazer de novo”O especialista explica que é importante deixar claro que a pessoa já fez o necessário, já conversou com um médico, já fez os exames e que pode ficar tranquilo porque não está doente. “Muitas vezes isso não surte efeito, aí tem que estimular a pessoa a procurar ajuda, procurar um médico para tratar essa ansiedade”, alerta Fernandes. O tratamento deve ser feito com um psiquiatra que, depois de fazer uma avaliação do caso, vai determinar se junto com a psicoterapia o paciente precisa fazer tratamento medicamentosoQuem sofre com o transtorno de ansiedade de doenças, normalmente, acaba desenvolvendo
sintomas leves da doença que pensa que tem. É importante entender que isso é diferente do transtorno de sintomas somáticos – quando a pessoa desenvolve uma “doença psicológica” e passa a ter sintomas somáticos e muito sofrimento em razão desses sintomas porque a dor pode ser muito intensa. Os dois transtornos são muito parecidos, mas no primeiro a preocupação
com a possibilidade de ter uma doença é maior. No outro existe aflição e sofrimento na
vida diária muito grande por causa dos sintomas que o paciente acaba desenvolvendo

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