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O medo de não ser compreendida leva à demora de denúncia de abuso, segundo os especialistas. E, não tomar uma atitude resolutiva, como fazer uma denúncia ou procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra, pode acabar “perpetuando o abuso”, de acordo com o psiquiatra Luiz Cuschnir, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

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“Tudo dependerá da segurança que ela sente de que esta atitude de se expor vai lhe trazer o benefício de vencer a vergonha”, explica.

A psiquiatra Carolina Hanna Chaim, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a qualidade das relações, tanto com familiares quanto com os amigos, faz a diferença de como ela vai lidar com o trauma.

“Vai depender da estrutura psíquica da pessoa e do seu entorno, se ela se vê autorizada a falar sobre isso ou não”, diz.

Abuso aumenta risco de transtornos

No abuso sexual, assim como em outros tipos de trauma, a pessoa precisa encontrar estratégias saudáveis de enfrentamento, como a sublimação (transformar impulsos inferiores em elevados) e até o esporte.

“O álcool e as drogas são formas de enfrentamento consideradas adoecidas porque aumentam o risco de o problema se tornar crônico. É uma fuga que ainda pode levar à dependência”, afirma.

O abuso sexual pode ser fator de risco para o desenvolvimento de transtornos tanto por uso de álcool e drogas como depressão e transtorno de personalidade. “O transtorno de personalidade de borderline, por exemplo, em mulheres é significativamente associado a relatos de abuso sexual na idade mais jovem”, afirma.

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Ela ressalta a importância da avaliação do quadro por um psicólogo ou psiquiatra, pois além de tratar o trauma, será possível prevenir sua piora. “Em saúde mental, se trabalha muito com prevenção. Uma mulher que começa a beber depois que sofreu um abuso, às vezes, nem percebe que está bebendo demais. Na negação, ela não consegue enxergar que está fazendo um padrão de uso do álcool de risco”, explica.

Os sintomas pós-traumáticos mais comuns são insônia, crise de pânico, viver em constante estado de alerta, tornar-se assustada com a vida e reviver as cenas dos traumas por meio de flasbacks, segundo a psiquiatra. “São situações muito desconfortáveis que medicações seguras, prescritas por um profissional e utilizadas por um período determinado, podem ter papel fundamental”, afirma.

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Nem todas as mulheres que foram abusadas precisarão tomar medicamentos para enfrentar o problema. Pessoas com maior resiliência, capacidade de voltar ao estado natural depois de ter sido submetidas a um trauma, conseguem superar a questão somente com terapia. “Ter resiliência também está associado a ter um suporte social maior”, explica.

Vergonha, culpa, revolta

De acordo com a psiquiatra, o modo como a mulher vai lidar com os sentimentos gerados pelo trauma depende de sua dinâmica, que pode ser “externalizante” ou “internalizante”.

Ela explica que, na dinâmica externalizante, a pessoas tem uma atitude mais impulsiva, fica agressiva, pode buscar álcool ou drogas e outras compulsões, como compras e comida. “É um pensamento que extravasa”, diz.

Já na dinâmica internalizante, tende a ficar mais isolada e a não falar sobre o trauma, aumentando a chance de depressão, síndrome de pânico e fobia social.

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“Para a cura, é importante ela saber se diferenciar do trauma. Ela é muito mais que esse trauma. O trauma é um elemento sobreposto a sua vida e ela não pode viver em função dele”, diz.

A recuperação total é possível. No tratamento, serão elaboradas as emoções relacionadas ao trauma. “O trauma existe na memória, mas se a pessoa estiver bem resolvida com aquilo, não vai ficar remoendo o tempo inteiro”, afirma. “O trauma deixa uma cicatriz e uma dor, quando vivenciado. No entanto, pode deixar de ser um pensamento recorrente, uma questão prioritária na mente”, completa.

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