Clima seco e temperatura elevada contribuem para a proliferação do pernilongo
Reprodução/CDC

Apenas neste mês, foram realizadas 323 solicitações para avaliação de local com infestação de pernilongos na cidade de São Paulo, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde. No ano passado, no mesmo período, foram 20.

A aplicação de inseticidas pela secretaria, conhecida como “fumacê”, em focos do pernilongo doméstico, o Culex quinquefasciatus, são programadas principalmente por meio de solicitações pelo SAC (Sistema de Atendimento ao Cidadão), informa a secretaria.

“Os locais denunciados são vistoriados pelas Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) de cada região. De acordo com as características ambientais encontradas, são adotadas as ações cabíveis, que consistem na pulverização espacial, que é a nebulização, para controle de mosquitos adultos e monitoramento e tratamento larvário com aplicação de larvicida biológico nos córregos e leitos carroçáveis”, afirmou a secretaria por meio de nota.

A subprefeita regional de Pinheiros, Juliana Ribeiro, informou, também por meio de nota, que as solicitações para o combate ao mosquito aumentaram. “Recebemos todos os dias diversas solicitações de intervenção quanto aos mosquitos, mas muitos não sabem que esse tipo de ação não compete à prefeitura e sim ao departamento de zoonoses e à Secretária de Saúde. Em todo o caso, seguimos tomando as medidas possíveis para minimizar esse problema e estamos em contato com os respectivos órgãos para que tomem o quanto antes medidas de contenção em toda a nossa região”.

Segundo a Secretaria, há 408 pontos de monitoramento de larvas do Culex no momento. Esse trabalho não é alterado com as variações de temperatura.

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“Vale ressaltar que o Rio Pinheiros recebe monitoramento e controle larvário com coleta e análise de larvas quinzenalmente e, quando necessário, aplicados larvicidas biológicos”, afirma a secretaria.

Além das ações, a secretaria frisa a importância da colaboração da população para o controle dos mosquitos, não jogando lixo em córregos, bueiros e valetas.

Rio Pinheiros é “berço” de pernilongos

De acordo com a entomologista Maria Anice Sallum, professora do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, a região do rio Pinheiros abriga um dos principais focos de infestação da cidade.

“O fato de o rio Pinheiros receber elevada quantidade de esgoto ‘in natura’ o transformou em ‘lagoa de estabilização’. A margens são sujas, com plantas que facilitam o desenvolvimento das fases iniciais de vida do pernilongo doméstico e oferecem abrigo a esses insetos”, explica.

Segundo ela, o pernilongo doméstico é o único mosquito que sobrevive às condições extremamente poluídas do rio, não encontrando predadores nem competidores. “Ali ele é o ‘rei’ e prolifera sem dificuldade, inclusive com fontes de sangue abundantes nas margens e entorno, como pessoas, roedores e cachorros”.

Mas ela destaca que o rio Pinheiros não é o único responsável pelo aumento do Culex. Os pernilongos domésticos se reproduzem em “esconderijos” urbanos, como calhas entupidas, galerias de água pluvial entupidas, fossas, rios e córregos contaminados com esgoto, piscinões e calçadas quebradas, que permitem o acúmulo d’água.

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A entomologista afirma que a aplicação de inseticidas como o “fumacê” só deve ser realizada em situações de epidemia e não apenas de desconforto, como ocorre atualmente. “Inseticidas utilizados por um longo período acabam contribuindo para a seleção de uma população de pernilongos mais resistentes. Ajuda a criar uma geração de pernilongos mais fortes”, explica.

A solução para o controle dos insetos, no momento, segundo ela, seria adotar medidas domésticas. Além do clima seco, a temperatura elevada deste inverno contribui para aumentar o ataque os pernilongos. “A falta de chuva torna a água dos criadouros estável, com maior nível de poluentes e de matéria orgânica, que serve de alimento para as larvas do mosquito. Esse fato, juntamente com a maior oferta de criadouros, por causa da água que se acumula no ambiente, em recipientes diversos, favorecem sua proliferação, afirma.

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