Redução do tabagismo, diagnóstico avançado e prevenção diminuíram casos
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Os números de morte por câncer nos Estados Unidos acabam de alcançar uma marca histórica: estão há 25 anos em queda consistente, segundo novo relatório divulgado na tarde desta terça-feira, dia 8. De acordo com especialistas, a redução do tabagismo e os avanços em diagnóstico e prevenção são os maiores motivos do resultado.

O Brasil ainda está longe de incorporar a tendência positiva – que se repete também entre países europeus. Por aqui, os índices de mortalidade por câncer aumentam desde 1979, quando o Instituto Nacional do Câncer (Inca) passou a registrar os dados anualmente.

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Estima-se que os Estados Unidos registrem este ano 1,7 milhão de novos casos de câncer e, pelo menos, 600 mil mortes, conforme a Sociedade Americana do Câncer. A taxa de letalidade por câncer nos EUA crescia anualmente até o início dos anos 1990. Desde então, começou a cair. De 1991 a 2016, a queda registrada foi de 27%.

A principal razão para esta queda é o recuo nos casos fatais de câncer de pulmão. Entre os diversos tipos da doença, este sempre foi o mais letal, sobretudo entre os homens. Mas a taxa de letalidade já caiu quase 50% desde o início dos anos 1990. É um efeito direto da redução do tabagismo, que começou a ganhar força nos anos 1960.

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A mesma tendência foi observada nos Estados Unidos para o câncer de próstata, cuja mortalidade caiu 51% entre 1993 e 2016. Entre as mulheres, houve queda na mortalidade pelo câncer de mama – que registrou queda de letalidade de 41% de 1989 a 2016.

“No Brasil, a nossa letalidade não para de crescer”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Sérgio Simon. “Para isso acontecer, é preciso ter rastreamento e detecção precoce dos tumores. Nosso rastreamento é muito pobre.”

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A exceção, de acordo com Sérgio Simon, é o Estado de São Paulo, onde a cobertura para a mamografia é de 70%. Outra estratégia que tampouco está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) é o acompanhamento de famílias que possuem uma mutação específica que pode favorecer o desenvolvimento de câncer de mama e ovário.

Processo lento

No caso da redução do tabagismo, o Brasil tem uma experiência de sucesso. Os fumantes representavam 27% da população há 15 anos e agora, são 11%. Esse porcentual é similar ao de países desenvolvidos. Os efeitos sobre as taxas de letalidade de câncer de pulmão, no entanto, ainda demoram.

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“Esse resultado só costuma aparecer 20, 30 anos depois”, acrescenta Simon. “A redução do tabagismo começou bem antes nos Estados Unidos.”

A estimativa para este ano é de que o Brasil registre aproximadamente 400 mil novos casos de câncer e, aproximadamente 200 mil mortes.

“É natural que países em desenvolvimento reproduzam o padrão dos países desenvolvidos, mas leva tempo”, afirma Marceli de Oliveira Santos, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional do Câncer. “Aqui no Brasil ainda não observamos um declínio da mortalidade; de 1991 para cá vem aumentando, de forma suave, mas aumentando. Eram 78 mortes por milhão e, agora, são 90 mortes por milhão.” 

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