Procedimento é feito através de artéria periférica, normalmente da virilha
Divulgação

Um novo equipamento, disponível no Hospital das Clínicas da FMRP-USP (Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto), permitirá o tratamento de aneurisma cerebral, dilatação que lembra bolha em uma artéria do cérebro, com menos riscos.

O tratamento consiste em uma evolução do método endovascular, em que o acesso é feito por meio de alguma artéria periférica do corpo, normalmente da virilha, e um catéter é guiado pelos médicos até o cérebro, explica o professor Daniel Abud, coordenador de pesquisa na FMRP-USP.

A novidade vai beneficiar 140 pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), diagnosticados com aneurisma cerebral e tratados no hospital. “Eles serão operados e vão utilizar um dispositivo fornecido por uma empresa alemã, ainda não disponível no mercado brasileiro, o que significa uma revolução nesse tipo de tratamento”, afirmou o hospital por meio de nota.

O método aplica um stent de nova geração na artéria afetada. O stent é uma malha de metal que redireciona o fluxo de sangue para que o aneurisma cicatrize naturalmente. Abud afirma que, antes dessa nova tecnologia, a malha gerava risco de trombose. Por esse motivo, o paciente que utilizava a técnica precisava tomar antiagregantes plaquetários para evitar a coagulação do sangue.

Saiba mais: Entenda o aneurisma, que levou o diretor Jorge Fernando à morte

Segundo o professor, esses medicamentos impediam pessoas com aneurisma rompido de utilizar esse tipo de tratamento, tendo que optar por outros métodos mais arriscados ou instáveis. Além disso, o paciente que era submetido à aplicação do stent não poderia realizar cirurgias ou esportes de impacto durante o tratamento com os fármacos.

O novo dispositivo possui um tratamento no metal que impede a coagulação do sangue. Com isso, o paciente precisará de uma dose muito menor de remédios. Além disso, um número maior de pacientes poderá optar por esse método.

“O dispositivo que vamos usar não existe ainda para comercialização no Brasil. Equipamentos que mais se aproximam têm custo acima de R$ 50 mil, a unidade”, afirmou o hospital por meio de nota.

Abud afirma que o aneurisma, antes de romper, é, na maioria dos casos, assintomático. “Normalmente, descobrimos quando ele rompe ou quando fazemos exames de imagem por outros motivos”, explica. Quando rompe, o aneurisma causa dor de cabeça trovoada, que possui esse nome por ser muito forte. “Os pacientes dizem ser a pior dor de cabeça que já sentiram na vida”, afirma.

Leia também: Como saber se você tem um aneurisma? Neurologistas explicam

Além disso, o rompimento pode causar crise convulsiva, dificuldade para mexer um lado do corpo, dificuldade para falar, diminuição no nível de consciência, sonolência e coma. Segundo Abud, um terço dos pacientes com esse quadro morrem devido ao aumento de pressão que o sangue causa no cérebro.

“É importante tratar os aneurismas que romperam o mais rápido possível. Eles possuem uma propensão para romper de novo. A segunda ruptura é óbito quase certo”, afirma o professor.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

Saiba quais são os sinais do AVC, no qual atendimento rápido é decisivo:

 

CategorySaúde

Copyright © 2016 - Plena Jataí. Todos os direitos reservados.

Clínica/Laboratório: (64) 3631-5080 | (64) 3631-5090
Farmácia: (64) 3631-8020 | (64) 3631-8030
Imagem: (64) 3631-6001