Cientistas recuperaram neurônios em minicérebros criados em laboratório
Divulgação/A Fada do Dente

Autismo não é uma doença, é um transtorno que afeta o neurodesenvolvimento e causa dificuldades ligadas à interação social e à comunicação.

Para um autista, pode ser difícil dominar a linguagem, seguir padrões de comportamento e regras sociais.

Há diferentes graus de autismo, que varia do leve ao severo, no qual pode haver retardo mental e a total incapacidade de interagir socialmente.

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A ciência ainda não consegue explicar a causa o autismo. Estudos associam o transtorno a uma predisposição genética ainda pouco conhecida, além de fatores ambientais.

Normalmente, trata-se de uma alteração em um gene, responsável pelo quadro clínico e os sintomas que o paciente vai apresentar.
Ainda não se conhece toda a genética do autismo, mas ela tem sido muito estudada nos últimos 10 anos. Hoje existem cerca de 800 genes descritos que podem apresentar alterações e causar sintomas relacionados ao autismo. Cada indivíduo é único do ponto de vista genético.

Novos tratamentos para o autismo

Em São Paulo, um grupo de cientistas ligados à USP e ao Projeto A Fada do Dente, uma ONG focada em pesquisas científicas, deu mais um passo importante na busca por um tratamento definitivo para o autismo.

A partir de dentes de leite de crianças com ou sem autismo, doados para a ONG, os pesquisadores geram, em laboratório, uma série de minicérebros que são utlizados para estudar os mecanismos biológicos do autismo e testar remédios que possam ajudar a melhorar a função das células dos cérebros autistas.

A descoberta mais recente diz respeito aos astrócitos, um tipo de célula neurológica em forma de estrela que existe em grande número no cérebro. Nos autistas, essas células estão inflamadas e, por isso, produzem em excesso uma substância que causa danos aos neurônios.

De acordo com a bióloga Patrícia Beltrão Braga, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e responsável pelo Projeto A Fada do Dente, uma droga capaz de bloquear essa substância e recuperar a forma e a função dos neurônios foi testada nos minicérebros com sucesso. 

“Nós mostramos que é possível melhorar algumas condições celulares que possivelmente se refletem em alguns sinais do autismo. Isso indica que, em um futuro próximo, talvez possamos tratar diretamente o autismo e não apenas alguns dos sintomas relatados pelos indivíduos que têm autismo”, explica a bióloga.

Em princípio, isso não significa uma cura para o autismo. Patrícia explica que o tratamento pode amenizar ou eliminar os sintomas, como irritabilidade e dificuldade de interação social, mas deve ser feito por toda a vida.

Os testes estão sendo desenvolvidos apenas em laboratório, nos minicérebros. Ainda não existe um prazo para o início dos exames clínicos em pessoas que tenham o transtorno. 

“Ainda não existe um prazo para iniciar o tratamento, mas estamos evoluindo rápido, não acho que esteja longe, talvez uns dez anos. O que a gente pode pensar é que vai acontecer, mas ainda precisamos de novos estudos, principalmente no que diz respeito aos efeitos colaterais”, explica Patrícia.

Nina foi diagnosticada com autismo aos 2 anos
Arquivo Pessoal

A vida com autismo

Quando a Nina tinha 2 anos, a escola chamou os pais da menina, a estilista Andréa Ribeiro, 39, e o engenheiro Ricardo Sakavicius, 40.

Os professores queriam sugerir que eles levassem a filha para uma avaliação neurológica porque ela não conseguia acompanhar as outras crianças.

Depois de muitos exames e avaliações de diferentes profissionais, veio o diagnóstico: Nina tinha o transtorno do espectro autista.

Andréa conta que a filha, hoje com 9 anos, tinha dificuldade para fazer coisas básicas. “Ela não conseguia comer sozinha, falar, pegar coisas, acompanhar o olhar, seguir instruções, tinha dificuldade de comportamento, de seguir regras”, lembra a mãe.

O tratamento começou imediatamente. Hoje Nina faz o que se chama de terapia de repetição, uma espécie de treino para o cérebro aprender a fazer as coisas. “Às vezes ela demora anos para aprender alguma coisa, quando consegue é uma vitória”, conta Andréa.

Nina frequenta uma escola regular, mas é acompanhada por uma terapeuta que executa na sala de aula os mesmos exercícios de repetição. O grande sonho da Andrea e do Ricardo é que ela aprenda a ler. Andrea está grávida novamente, de oito meses. A irmãzinha da Nina vai se chamar Helena. 

Hoje com 9 anos, Nina evoluiu bastante
Arquivo Pessoal

Veja, a seguir, o depoimento da mãe da Nina:

“A Nina foi diagnosticada com autismo muito cedo e, pra gente, foi um baque. Não tínhamos a mínima ideia do que fazer, nem por onde começar. Por meio das pessoas certas, fomos nos informando, pesquisando, tratando e nos adequando a uma nova modalidade de ‘viver’, que hoje só temos a agradecer por termos recebido esse presente, que desembrulhamos a cada dia. Digo um presente, porque não é nem um pouco fácil ter uma filha que foge totalmente aos padrões do que uma sociedade acha ideal, mas que para nós, nos coube perfeitamente.

A escola já faz parte da rotina da Nina. É um conforto, ela se sente segura lá porque sabe em que porta vai entrar, quais as pessoas que ela vai encontrar. As crianças compreendem as necessidades dela e ela também conseguiu se adaptar. Ela consegue se relacionar com os colegas porque começou a ser acostumada com isso desde cedo. A gente sempre levou ela em todos os lugares, enfrentávamos as crises até ela perceber que aquilo também fazia parte da rotina.

A questão da leitura é uma coisa que, em um primeiro momento, não iria acontecer e hoje ela já consegue juntar as sílabas. É um processo lento. É um sonho que a gente tem, que ela consiga ler, porque acreditamos que isso vai abrir o universo dela.

Somos parceiras, a Nina não é um problema. Ela é um fato existente na nossa vida, que nos faz pensar, nos transformar e sobretudo melhorar!”

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