Corregedoria da Polícia Civil investiga acobertamento de ocorrência contra empresário
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A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de segundo a qual integrantes da instituição teriam omitido o nome do proprietário de uma casa de jogos clandestina no boletim de ocorrência registrado sobre o fechamento do estabelecimento. O empresário em questão, Reginaldo Moraes de Campos, é conhecido como “Rei dos Cassinos”.

Durante a apuração de uma denúncia de aglomeração em um estabelecimento, equipes da Polícia Civil e agentes da Vigilância Sanitária encontraram na suposta casa de jogos um cassino improvisado.

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No local, havia mesas de jogos, equipamentos, roletas e mobília. Todos os objetos foram recolhidos pela polícia sob o olhar do dono, que estava no local no momento da batida. Ele é conhecido como um bem-sucedido empresário de casas de poker.

No entanto, o Ministério Público e a polícia sabem que Reginaldo também é dono de outros cassinos e vários bingos, que têm as máquinas caça-níqueis. Em um desses estabelecimentos, foram detidos recentemente o jogador Gabigol, do Flamengo, e o cantor MCGui.

Apesar do flagrante da polícia, o empresário não foi conduzido para a delegacia e o seu nome não constava em um primeiro boletim de ocorrência. No documento, era citado como responsável pelo local o dono do imóvel, que informou ter alugado duas salas e que desconhecia o funcionamento de uma empresa que explorava jogos de azar.

Além das suspeitas de acobertamento do empresário na elaboração do boletim de ocorrência, policiais civis também são suspeitos de retirar do registro da operação que fechou o cassino os nomes de dois agente penitenciários: Marcelo Veron da Mota e Edson Adachi. 

Ambos os servidores públicos são funcionários da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) estariam trabalhando como seguranças no momento em que o estabelecimento clandestino foi fechado e também não foram encaminhados para a delegacia.

Apreensões
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Durante a ação policial, também não foram apreendidos os celulares de nenhuma das pessoas flagradas no local ou de outros suspeitos. Normalmente, o material contido nos aparelhos é utilizado na investigação como fonte de provas.

“Deve-se sim apreender todos os objetos: computadores, celulares, tablets, tudo aquilo que te traga ou te remeta às mensagens que possa trazer ligação ao crime. No caso de uma organização criminosa, e-mails, telefone celular, redes sociais, tudo isso tem que ser objeto de análise. E só vai ser objeto de análise, inclusive passar por perícia se houver apreensão”, explicou a advogada criminalista Roselle Soglio.

Para piorar as suspeitas contras alguns integrantes da Polícia Civil paulista, há outro fato suspeito: existem dois boletins de ocorrência sobre o flagrante na casa de jogos e o nome de Reginaldo aparece apenas no segundo documento, feito 12h depois do primeiro.

Delegado e agentes penitenciários ao lado do empresário Reginaldo Campos, dono do cassino
Reprodução/Record TV

Policiais do 14º DP (Pinheiros) alegaram que o sistema havia caído. A SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) disse que a Corregedoria da Polícia Civil já instaurou um procedimento e irá apurar eventuais irregularidades.

Entretanto, as suspeitas e questionamentos sobre o caso já resultaram no afastamento do delegado seccional Jorge Carrasco, que aparece em uma foto, no dia da ocorrência, conversando com o dono do cassino, os seguranças e os agentes penitenciários. 

“Eu não sei o que aconteceu. eu vou ao departamento e vou conversar com o diretor [da Polícia Civil]. Eu não tenho envolvimento com ninguém, com jogo, com ninguém”, enfatizou o delegado Jorge Carrasco.

Destino dos equipamentos
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Segundo o registro da ocorrência, os móveis e equipamentos recolhidos no cassino foram levados para um depósito na zona leste de São Paulo, porque não havia espaço na delegacia. Porém, os objetos guardados no local não pareciam os mesmos.

O Ministério Público investiga os jogos ilegais desde o ano passado. Em agosto de 2020, o órgão fechou uma casa de caça-níqueis ligada a Reginaldo Campos e também está acompanhando este caso.

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“A gente consegue que é um esquema muito bem organizado, que lamentavelmente vigora há anos sem quaisquer respostas adequadas do poder público no sentido de impingir uma legislação mais fortemente robusta para evitar de uma vez por todas essa situação”, frisou o promotor de justiça Cássio Conserino.

O que dizem os envolvidos

Por telefone, a Record TV procurou o empresário Reginaldo Campos, mas ele ele não atendeu às ligações.

Já os agentes Marcelo Veron da Mota e Edson Adachi foram procurados, mas não retornaram o contado da reportagem.

Por nota, a SAP informou que apura a participação dos servidores no cassino e que eles poderão ser demitidos a bem do serviço público.

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