Testes rápidos podem dar falso negativo, afirmam especialistas
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Com a aproximação das férias e festas de fim de ano, há quem procure testes de covid-19 na expectativa de poder viajar tranquilamente e visitar familiares ou amigos. Entretanto, especialistas alertam que esses exames não são garantia de nada.

Há no momento dois tipos de exames para covid-19: o teste molecular (RT-PCR), que detecta o coronavírus na fase aguda da infecção; e os sorológicos (testes rápidos e laboratoriais), que identificam os anticorpos desenvolvidos em um momento posterior.

“A pior situação do teste sorológico é o falso negativo, porque esse teste pode dar uma falsa sensação de segurança, mas a pessoa pode até estar infectada e não ter produzido os anticorpos que são necessários para refletir uma reação positiva. A gente sabe que a produção de anticorpos pode demorar a acontecer”, explica o presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica, Wilson Shcolnik.

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Mesmo o teste molecular, considerado “padrão ouro” para diagnosticar a covid-19, deve ser visto com cautela quando se trata de pessoas assintomáticas, alerta o infectologista Carlos Fortaleza, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu e membro do Centro de Contingência da Covid-19 em SP.

“O PCR, por exemplo, te garante que neste momento você não está transmitindo, mas amanhã você pode estar. Entre você se infectar e o seu exame começar a dar positivo no RT-PCR, isso vai levar algum período entre 5 e 14 dias. Se você tiver contato com alguém doente e fazer o teste, pode ser que dê negativo hoje e positivo amanhã.”

PCR leva alguns dias após infecção para dar positivo
Leandro Ferreira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Desta forma, avalia Fortaleza, não se deve utilizar testes em busca de segurança.

“Todos esses testes feitos em assintomáticos, exceto em circunstâncias muito especiais, são pouco confiáveis, mesmo os moleculares, e não deveriam ser feito com esse objetivo.”

Mesmo que a pessoa já tenha sido infectada, cientistas são claros ao dizer que elas precisam manter os mesmos cuidados, pois há, ainda que raros, casos de reinfecção pelo coronavírus.

“A melhor recomendação é que faça o exame mediante recomendação médica. Não é preciso se orientar com pessoas leigas. Os médicos estão hoje bastante preparados para entender em qual situação cada pessoa se encontra e pedir o exame mais apropriado. Senão, o exame errado é realizado e muitas vezes o resultado que é obtido não reflete a situação das pessoas”, acrescenta Shcolnik.

Casos em alta

A procura por exames de covid-19 nos laboratórios associados à Abramed aumentou cerca de 30% nos últimos dez dias. Uma das causas é que um maior número de pessoas se expôs recentemente, afirma o presidente.

“Todos os especialistas que eu tenho escutado atribuem isso a um relaxamento no distanciamento social e nas medidas de precaução que precisam ainda ser tomadas.”

Carlos Fortaleza conta que os clusters (vários casos proveniente de um mesmo grupo de pessoas) estão se tornando frequentes.

“Toda semana eu atendo casos que positivaram em eventos familiares ou do trabalho, que positivaram coletivamente. Os nossos colegas da linha de frente têm relatado com bastante frequência esses clusters de família e trabalho após confraternizações.”

Por isso, a recomendação é evitar ao máximo reuniões de pessoas que não residem na mesma casa.

Se for extremamente necessário, orienta o médico, que seja feito com o menor número de participantes possível, com uso de máscara e distanciamento social.

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