Ricardo idealizou o projeto Praia para Todos
Arquivo pessoal

Cadeirantes encontram dificuldade de aproveitar as praias no verão, pois, além da falta de acessibilidade na maioria das praias, as cadeiras de roda não são próprias para enfrentar a areia e acessar o mar.

“Era frustrante não conseguir ir até a areia, não conseguir entrar na água. A falta de acessibilidade para cadeirantes há 20 anos era muito maior do que é hoje. E ainda, para conseguir entrar na água, precisava ser carregado, era constrangedor”, afirma Ricardo Gonzalez, 37, idealizador do projeto Praia para Todos.

Gonzalez tinha 16 anos quando sofreu um acidente de carro que lesionou sua coluna e o deixou tetraplégico. O adolescente, que costumava frequentar praias e surfar no Rio de Janeiro, passou, então, a ter que aproveitar a praia no calçadão devido ao difícil acesso.

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Foi então que, em 2008, junto ao Instituto Novo Ser, dedicado a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, Ricardo criou o Praia para Todos. A ideia foi concebida desde a chegada do cadeirante ao local até o acesso ao mar.

“Uma das principais dificuldades que os cadeirantes enfrentam para chegar à praia é o transporte público. Não é toda a frota que é acessível. A acessibilidade da própria cidade também é precária e a falta de estrutura também dificulta o acesso”, afirma Gonzalez.

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Samuel mora em Ilhéus, na Bahia
Arquivo pessoal

Essas dificuldades também afetam o músico Samuel Simão, 36. Em junho do ano passado, Simão foi vítima de um assalto e, devido ao alojamento de uma bala, perdeu os movimentos dos membros inferiores. Desde então, o músico, que mora em Ilhéus, na Bahia, tem de aproveitar a praia nas barracas próximas às calçadas.

“Eu moro numa cidade que tem 100 Km de praia e não consido entrar no mar”, lamenta Simão. Segundo o músico, essa falta de acessibilidade causa sentimento de exclusão. “A sociedade não está preparada para os cadeirantes”, afirma.

Para incluir os cadeirantes e ajudá-los a aproveitar a praia, o Praia para Todos, presente em Copacabana e na Barra da Tijuca, disponibiliza, gratuitamente, o acesso por meio de rampas e oferece cadeiras anfíbias, próprias para a praia, com pneus largos para não atolar na areia (o custo médio para comprar uma cadeira anfíbia está entre R$ 2 mil e R$ 3 mil), e pessoas capacitadas para ajudar os cadeirantes a chegarem na água.

O projeto também oferece atividades, como o vôlei sentado, frescobol, handbike (tipo de bicicleta que é pedalada com as mãos) e stand up paddle adaptado. 

O fisiatra Maurício Cantarino, da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, afirma que os cadeirantes devem se atentar aos cuidados na praia, assim como as outras pessoas.

Cantarino ressalta que, além de passar o protetor e manter-se hidratado, o cadeirante deve sempre ir ao mar acompanhado para evitar acidentes provocados por ondas e procurar ficar numa parte mais rasa e com o mar mais calmo.

Para aproveitar a praia, Gonzalez aconselha que as pessoas não tenham medo de se expor nem ter vergonha do corpo, pois os benefícios da experiência valem muito mais a pena. 

Entre as cidades brasileiras que apresentam acessibilidade nas praias estão:

— Bertioga, Guarujá, Santos, São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba, Mongaguá e Peruíbe, em São Paulo;

— Copacabana e Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro;

— Maceió, em Alagoas;

— Porto de Galinhas e a Praia da Boa Viagem, em Pernambuco;

— Balneário Rincão, Balneário Camboriú, Itapema e São Francisco do Sul, em Santa Catarina;

— Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná, no Paraná.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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