O fungo Lomentospora prolifican causou a primeira morte na América do Sul
FRANÇOISE DROMER/DIVULGAÇÃO

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical da USP (Universidade de São Paulo) descreveu o primeiro caso de morte por superfungo na América do Sul em um jovem de 17 anos de São Paulo.

O paciente imunodeprimido (com baixa imunidade) havia passado por um transplante de medula óssea e foi infectado pelo Lomentospora prolifican, um fungo multirresistente a medicações antifúngicas utilizadas em tratamentos. 

O caso ocorreu no final do ano passado, mas foi publicado recentemente no jornal científico Transplant Infectious Diseases.

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Segundo a pesquisa, o paciente já possuía uma doença autoimune e o transplante foi o tratamento escolhido para amenizar o problema. Após ter mostrado rejeição ao transplante, mesmo depois de ter recebido alta médica, voltou a ser hospitalizado, pois havia sido infectado pelo fungo. 

“Trata-se de um caso isolado. O paciente era imunodeprimido e estava mais sujeito a contrair infecções. A infecção não foi por meio hospitalar, mas pelo ambiente”, afirma João Nóbrega de Almeida Jr., um dos autores do estudo, pesquisador do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Instituto de Medicina Tropical da USP. “A suspeita é de que o jovem tenha contraído o fungo por meio da respiração”, afirma.

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De acordo com o especialista, os casos mais graves ocorrem na Austrália, Estados Unidos e Espanha, mas isso não significa que outros países não tenham o fungo.

“O fungo Lomentospora prolifican é encontrado no solo e em plantas em decomposição. Ele também está no Brasil, mas nunca ocasionou morte. Essa foi a primeira vez”, explica Almeida Jr. O médico ainda explica que, em sistemas imunológicos saudáveis, o fungo pode estar ligado a infecções pulmonares, de pele e das orelhas, mas não origina casos graves como o descrito no estudo.

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Almeida Jr. afirma que o fato não deve gerar alarme, pois se trata de um caso que afetou um paciente mais fragilizado. Para o especialista, o caso serve como alerta para equipes médicas e laboratoriais para a rápida identificação e tratamento de agentes fúngicos como esse.

“O que avaliamos é que, com a aplicação de antifúngicos na agricultura e com o aquecimento global, os ‘superfungos’ apresentam maior proliferação, já que são mais resistentes e crescem em ambientes com mais de 35ºC”, explica.

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De acordo com o autor do estudo, a maioria dos fungos é contraído por meio da respiração, diferentemente das bactérias, que podem ser contraídas pelo contato e por meio do ambiente.

Entre os superfungo, o Candida auris se destaca, segundo o pesquisador. Diferentemente da maioria, é contraído pelo contato e vem causando infecções hospitalares em outros países, mas não chegou ao Brasil.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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