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Hospital lotado, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, durante epidemia da Covid-19
Diego Vara/Reuters – 11/3/2021

Pacientes em macas improvisadas pelos corredores e outros esperando por atendimento médico: essa é a realidade da maioria das emergências dos hospitais públicos brasileiros. No entanto, uma iniciativa liderada pelo Ministério da Saúde aponta para uma queda de 28% na superlotação dos prontos-socorros do país.

Criado em 2017, o projeto Lean nas Emergências leva novas práticas para desafogar as salas de emergência e é uma parceria da Saúde com os hospitais Sírio-Libanês, em São Paulo, e Moinhos de Vento, em Porto Alegre. 

Além da diminuição na superlotação, o projeto registrou queda de mais de 30% no tempo de permanência dos pacientes (internados e não internados) em 72 hospitais públicos e filantrópicos, de 26 estados.

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O termo lean, do inglês, significa produzir com a máxima eficiência e qualidade, sem desperdício. A estratégia de gestão é bastante aplicada em diversos setores econômicos, em grandes empresas, como na indústria automotiva, e até mesmo em startups.

O projeto chega com o intuito de mudar a operação e o fluxo das unidades de saúde para melhor atender os pacientes em situação emergencial.

Carina Tischler Pires, gerente de projetos de compromisso social do Hospital Sírio-Libanês, explica que a crise nos prontos-socorros é resultado de alguns fatores: alto volume de pacientes e falta de leitos para internação pelo tempo elevado de permanência de pacientes, além de processos de trabalho pouco eficientes e integrados entre as áreas.

O projeto visa a atacar essas questões, utilizando recursos e profissionais já disponíveis no hospital.  

"Acreditamos que as atividades desenvolvidas sejam capazes de promover a autonomia intelectual e assistencial dos profissionais envolvidos, resultando em melhora na passagem do paciente pelo serviço de urgência, até sua chegada ao local correto, com recurso correto e no tempo correto", diz a gerente. 

As medidas têm reflexo, ainda, no número de mortes: a redução média projetada é de 3% ao mês na taxa de mortalidade, ou seja, 10.142 vidas impactadas. 

"Estima-se também que o projeto Lean nas Emergências é capaz de gerar um aumento de vagas de internações de 19.672 por mês. Este aumento de vagas é atingido com a redução do tempo médio de permanência hospitalar e com a implantação das ferramentas pela equipe do hospital, sem aumento de custos, construção de novos leitos ou contratação de equipe extra", ressalta Carina Pires. 

Mais agilidade

A Santa Casa de Jahu, referência para a população de 12 cidades no interior paulista pelo SUS, aderiu ao Lean nas Emergências. 

Uma das medidas adotadas foi a implantação do fluxista do pronto-socorro, um profissional que encaminha o paciente ao consultório para fazer exames e controla o tempo de permanência dele, para que o atendimento seja o mais rápido e eficiente possível.

A estratégia Huddle também entrou na rotina dos profissionais do hospital. Trata-se de uma rápida reunião diária da equipe, de até 15 minutos, quando é feito um checklist do que está acontecendo na emergência, quais pacientes continuam internados, previsão de altas hospitalares e tratamentos a serem seguidos, o que contribui para a segurança dos pacientes.

"Outra medida exitosa foi a criação da sala de alta, onde os pacientes elegíveis aguardam por seus familiares, sendo este um ambiente humanizado. Dessa forma, temos o leito liberado com celeridade, podendo ser ocupado por outro paciente de maneira mais fluida e rápida", conta a coordenadora de enfermagem da Santa Casa, Regiane Laborda.

Desde o ingresso no projeto, a unidade reduziu em 20% o tempo de passagem dos pacientes.

Até agosto de 2023, 216 hospitais públicos e filantrópicos participavam do Lean nas Emergências, sendo 37 em fase de implementação. Mais de 7.700 profissionais foram capacitados em visitas presenciais e cursos a distância.

O projeto integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

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