Ovelha conseguiu o mesmo desenvolvimento de uma gestação normal

Reprodução/NCBI

O útero artificial foi desenvolvido no Hospital da Filadelfia nos Estados Unidos. Ele foi pensado para bebês prematuros extremos, ou seja, que nascem com 23 a 24 semanas de gestação, o limite para que exista chance de sobrevivência. O governo americano autorizou os primeiros testes em humanos no ano que vem.

O professor Lourenço Sbragia Neto, chefe da Divisão de Cirurgia Pediátrica do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP, afirma que o sistema foi testado com sucesso em ovelhas e consiste em uma bolha que imita as condições do útero.

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Além disso, um cateter é implantado no feto e sangue é bombeado através dele para levar nutrientes para o bebê, funciona como o cordão umbilical. Segundo Neto, os filhotes conseguiram praticamente o mesmo desenvolvimento de uma gestação normal de 37 semanas.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), dos 30 milhões de bebês que nascem prematuros todos os anos no mundo, 1 milhão morre devido à prematuridade.

Além do risco de morte, bebês com prematuridade correm o risco de ficar com sequelas. O professor explica que um bebê de 24 semanas tem por volta de 500 g, enquanto o mínimo para bebês que nascem no tempo adequado é de 2,5 kg.

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A principal sequela é o retardo mental. O bebê possui os vasos da cabeça muito frágeis, variações na quantidade de oxigênio podem causar sangramentos, uma espécie de derrame. De 5% a 10% dos prematuros extremos apresentam enterocolite necrosante, quando o intestino necrosa. Além de problemas pulmonares, já que o pulmão não está totalmente desenvolvido, e quadros graves de infecção como meningite, uma vez que o sistema imunológico não está preparado para o contato com o mundo externo.

“Se funcionar bem para os bebês prematuros, pode também ser uma solução para cirurgias fetais. Ao invés de operar o bebê dentro do útero, poderíamos tirar o bebê da barriga da mãe, operar e colocar no útero artificial para terminar o desenvolvimento”, afirma o professor.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

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