Veterinária tomou dose extra
Reprodução/Facebook
A 2ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos condenou Jussara Sonner a pagar indenização de R$ 50 mil ao município de Guarulhos, na Grande São Paulo, por danos morais.
De acordo com os autos, ela burlou o sistema de saúde para tomar uma terceira dose da vacina contra a Covid-19, de fabricante diferente da responsável pelas primeiras, quando a dose de reforço ainda não era recomendada pelos órgãos oficiais, tampouco disponível à população. Além disso, o ato foi divulgado nas redes sociais.
O juiz Rafael Tocantins Maltez afirmou que foi clara a intenção de obter vantagem, aproveitando-se de falha no sistema para obter outra dose do imunizante, em detrimento dos cidadãos que ainda não tinham sido vacinados.
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O magistrado afirmou também que a alegação de Jussara Sonner de ter assumido o risco quanto aos efeitos da vacina só demonstra que a ré “confunde direito individual com obrigação coletiva. Se todos assumissem esse risco e houvesse efeitos na saúde de todos que tomassem inadvertidamente a terceira dose, o prejuízo e a reparação dos danos seriam de toda a coletividade”.
Segundo o juiz, “o argumento de que o próprio governo passou a indicar a terceira dose não se sustenta, pois a regra passou a valer somente em setembro. Quando a ré tomou a terceira dose, não havia essa possibilidade”.
Ele ressaltou que a liberação da terceira dose se deu após estudos que garantiram maior eficácia na imunização. O magistrado lembrou que a ré causou dano moral coletivo ao dar o mau exemplo.
O valor da indenização será direcionado a um fundo gerido pelo Conselho Estadual, com participação do Ministério Público e de representantes da comunidade, a ser determinado no cumprimento da sentença. Ainda cabe recurso.
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O caso
Uma médica-veterinária burlou o esquema de vacinação e tomou ilegalmente três doses de imunizantes contra a Covid-19. Nas redes sociais, ela publicou a fraude e disse que a praticou em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.
Jussara Sonner afirmou que havia sido imunizada, inicialmente, com duas doses da CoronaVac, e que se sentia “bastante incomodada”. A veterinária aguardou por três meses até que pudesse tomar a dose da vacina da Johnson.
O prefeito de Guarulhos, Guti (PSD), acionou o Ministério Público para que fizesse uma investigação. “Esse é um comportamento inaceitável, criminoso e de má-fé com a sociedade, pois tira de alguém a vez de se vacinar. Além disso, ela se pôs em risco, pois não há como saber se a dose excessiva é segura”, disse ele.